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Um Animal de Rua

Colecionador > Página 7
Sergio Valério
 
Rex é um animal de rua. Nasceu sabe-se lá de quem e sabe-se lá aonde.
O fato é que jamais conheceu um lar, nunca teve quem o levasse ao veterinário e nem quem o alimentasse com a ração adequada.
Rex sempre tem o seu pelo cheio de nós e nunca soube o que é uma tosa ou um banho.
É um animal de rua. Aprendeu sozinho que aqueles enormes animais metálicos que buzinam ao invés de latir, são perigosos e se ele ficar na frente deles, poderá morrer como aconteceu com o seu amigo vira-lata sem nome.
Rex aprendeu a ser chamado por esse nome por causa de um menino que morava no bairro, por onde ele sempre estava.
O garoto que sempre brincava com ele mudou de bairro e agora ninguém mais sabe que ele se chama Rex.
Nos finais de tarde, vê passar cachorros bem cuidados que saem para passear com os seus donos. Rex late para eles como se talvez pedisse:
-Ei! Será que tem um jeito de você pedir para o seu dono me adotar também?
Talvez até esses cachorros entendam o seu pedido e por isso latem em resposta, mas parece que os seus donos não entendem a linguagem dos cães e Rex continua como um animal de rua.
De vez em quando passam homens que levam os cachorros de rua para algum lugar que ele não sabe aonde, mas até agora,  Rex conseguiu escapar.
Apesar de tudo, ele gosta da sua liberdade. É uma liberdade que tem um custo muito caro. Significa solidão, fome, chuva e frio, significa não ter um lugar para morar e nem um dono para cuidar dele.
Mas, a liberdade é tudo o que Rex tem e ele aprendeu que ela é o seu único tesouro. Porém, ele trocaria toda essa sua liberdade...por um dono. Uma pessoa que desse um pouco do seu tempo para ele.
Rex não sabe quantos anos tem e ninguém também que passa por ele se preocupa com isso.
O tempo não existe para ele. Existem luas, sóis, chuvas, trovoadas, fomes e frios.  Mas assim mesmo, ele acredita nas pessoas. Se alguém na rua estala os dedos, Rex balança o rabo e vem feliz em direção a esse alguém. Ele se sente realizado: -Alguém está brincando com ele!
Nessa hora, seus olhos brilham e até o seu pelo também parece brilhar.
O único problema é que...a mesma pessoa que estalou os dedos para Rex, quando o vê se aproximando, sujo e mostrando sinais de doenças em seu corpo, a mesma pessoa que estalou os dedos, o manda embora:
-Sai, cachorro! Sai!!!
Rex nesse instante volta à realidade e percebe que foi apenas um estalo de alegria e nada mais.
Ele volta para seu caminho em busca de algum osso, em algum saco de lixo colocado a beira da calçada.
Rex também não consegue entender porque aquelas pessoas saem correndo atrás dele com vassouras quando ele tenta abrir os sacos de lixo.
E ele tem notado que atualmente os sacos de lixos tem ido parar em lugares altos, naquelas caixas também metálicas, onde os cachorros de rua não tem mais acesso.
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Mas, agora Rex tem passado os melhores dias da sua vida. Ele encontrou um morador de rua que o adotou. Coincidência ou não, o homem também o chamou de Rex e mais: -O seu dono se parece com ele.
Suas roupas sempre estão sujas como o pelo de Rex. Seus olhos também não tem brilho. Esse homem também procura nas latas de lixo o que precisa para comer.
Esse homem para ele é um verdadeiro herói! É alto e alcança os sacos de lixo que ficam em cima daquelas caixas metálicas!
Esse homem é muito bom: -Ele divide com Rex o que encontra! Ele se deita na calçada, embaixo do viaduto, ao lado dele.
Rex pode lamber o rosto desse homem! Rex agora tem um dono! 
 
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