Um mágico sentimento - Jornal Animal

Busca
Ir para o conteúdo

Menu principal:

Um mágico sentimento

Colecionador > Parte 1
Sergio Valério

Sabe aquele dia em que tudo parece mais bonito? O café da manhã fica com um gosto especial, o Sol acorda com um brilho maior e todos os problemas parecem ter se dissolvido durante a noite em que sonhamos os mais doces sonhos para a nossa vida?
Foi exatamente assim que se sentiu Adalberto quando chegou ao seu trabalho. Girou a chave na porta do escritório e entrou como se estivesse adentrando os espaços do Paraíso.
A mesa, as cadeiras, o computador, tudo estava no mesmo lugar de sempre, porém os objetos pareciam pairar no ar, como se toda a leveza das nuvens tivesse invadido aquele escritório.
O tom cinza do piso lhe pareceu ter algum toque de azul, as paredes pareciam inexistir de tanta profundidade que o seu olhar lhe proporcionava, atravessando os tijolos, percorrendo estradas até chegar ao mais distante de todos os lugares, onde a natureza se abria em ventos, matos e ondas.
Adalberto sentou-se na velha cadeira, abriu a gaveta e de lá retirou um velho retrato dos seus pais. Sua mãe, Ednarda, estava linda naquele vestido azul. O pai, Fred, sorria o mais franco dos sorrisos. Ao lado dos dois, Belinha, a cachorrinha que por anos havia sido companheira daquela família.
Ele jamais iria esquecer aquela cena onde, ao lado dos pais, havia escolhido Belinha, entre muitos filhotes, para fazer parte da família Prudente. Belinha, ao ver Adalberto, já foi se aproximando balançando o rabinho e ao ficar mais próxima, deitou-se de costas para ser acariciada.
O menino Adalberto acariciou-lhe a barriga, olhou para o pai, olhou para a mãe e disse: - É ela! É ela que eu quero levar para casa. Posso, pai? “Seu” Fred olhou para o menino, passou a mão em sua cabeça e disse: Sim! Claro!
As lembranças de Adalberto foram interrompidas quando o telefone tocou. Era Estela, sua mulher, que avisava que a cachorrinha que haviam trazido para casa no dia anterior já estava acordada e latindo. Estela falou: -Ouça, Adalberto! Ela está latindo de um jeito tão bonitinho!
O homem sorriu, conversou um pouco mais e depois de desligar, pensou consigo mesmo: - Cães são assim, fazem a nossa vida ter mais graça. Trazem amor e carinho para dentro de nossas casas. Um cão que vem ao nosso encontro, nos recebendo com toda a sua atenção quando voltamos do trabalho, nos dá ânimo para acreditar que a vida vale a pena ser vivida.
Era por esta razão que Adalberto se sentia tão alegre naquela manhã. Depois de tantos anos, a casa recebera uma linda cachorrinha e quando isso acontece, um mágico sentimento percorre o ar, fazendo de nossa casa e de nós, verdadeiros retratos da alegria.

 
Busca
Voltar para o conteúdo | Voltar para o Menu principal